Marketing sensorial: o que é e como aplicar em sua empresa?

Quem é do mundo corporativo já está acostumado a ouvir falar em novidades de marketing quase que todo dia. Porém, quando falamos sobre marketing sensorial, saiba que não se trata apenas de mais uma novidade qualquer.

Inclusive, poucos sabem, mas essa modalidade não tem nada nova, pois nasceu em 1982. O contexto era o da teoria de marketing sensorial (ou hedonista), cuja proposta de estudo vinha de Holbrook e Hirschman, no campo da Psicologia Comportamento.

Também era por ali que começava-se a falar em Experiência do Cliente (Customer Experience), algo que hoje já é disseminado e fundamental. Por exemplo, uma empresa de entrega de documento pode ter isso como algo próprio do seu processo diário.

Afinal, a marca que não está interessada em saber como tem sido a experiência do seu cliente durante a jornada de compra, certamente acabará sendo engolida pela concorrência. Isso porque o pós-venda é essencial para fidelizar, embora o pré-venda seja diferente.

É aí que surge a questão essencial do marketing sensorial. Trata-se, tal como todo marketing de pré-venda, de despertar o interesse do cliente. Isso pode ocorrer por meio da curiosidade, das emoções, dos sentimentos como um todo ou, enfim, dos sentidos.

Por que ler este artigo?

Alguns podem pensar “mas ninguém vai manter um cliente satisfeito só lidando com os sentidos dele”. Perfeito, pois não se trata de mantê-lo satisfeito, mas apenas de atraí-lo, por isso é uma estratégia do começo da jornada de compra, não do fim.

Imagine uma acao de marketing promocional, como baixar preços e prazos, vender 3 itens pelo preço de 2 ou fazer frete grátis. Isso também não vai necessariamente deixar o cliente satisfeito, caso o produto não seja de qualidade quando for entregue.

Portanto, todo preconceito contra um marketing sensorial, que lida com os aspectos mais imediatos e até inconscientes (ou irracionais) do ser humano, é no fundo um equívoco. Ele tem tanta importância quanto qualquer outra modalidade.

Por isso decidimos escrever este artigo, trazendo aqui os conceitos mais básicos do assunto, sem os quais fica difícil entender do que se trata essa estratégia. Também trazemos os conselhos mais práticos para você colocar em prática hoje mesmo.

O mais bacana é que a estratégia evolui tanto que já pode ajudar qualquer segmento ou nicho de mercado, seja para vender vinho branco doce, que desperta os sentidos por si mesmo, ou para promover algo ligado a produtos não comestíveis.

De fato, a estratégia vai muito além do paladar. Por exemplo, uma loja de roupas pode usar o marketing sensorial por meio da música e assim deixar sua marca nas pessoas.

Então, se você quer entender como exatamente isso é possível e já começar a mudar a história da sua empresa de uma maneira bastante positiva, basta seguir adiante.

O que é o marketing sensorial?

Até aqui já deu para entender mais ou menos do que se trata essa estratégia. Porém, certamente ainda fica a curiosidade, especialmente sobre como atender todos os cinco sentidos humanos.

Realmente, uma das dúvidas mais comuns que surgem diante desse assunto é se todos eles realmente podem ser despertados por uma marca.

Como vimos, um vinho ou mesmo um brunch corporativo podem se comunicar muito bem com o paladar, mas e os demais sentidos, como ficam?

Vamos lembrar que os 5 sentidos são os seguintes:

  • Tato;
  • Olfato;
  • Paladar;
  • Visão;
  • Audição.

Falando assim, já começa a ficar evidente que, no fundo, não existe marketing que já não desperte ao menos um deles. Por exemplo, a visão, seja na publicidade escrita ou audiovisual, ela sempre vai estar presente.

Falando em audiovisual, o sentido da audição também tem sido cada vez mais explorado pelo universo do marketing e da publicidade como um todo, especialmente com o advento da internet e do acesso por smartphones.

Em todos esses casos, o que se busca é criar conexões e aproximar-se do público-alvo. Mas realmente tem muita marca que cria peças sem parar para pensar que, no fundo, ela está falando também com o inconsciente e não somente com a razão.

Para entender melhor isso, vamos aprofundar os outros sentidos, que superam e muito a visão e a audição.

O tato, o olfato e o paladar

Ao falar desses três sentidos, já começa a ficar mais claro não apenas do que se trata o marketing sensorial, mas também o fato de que aplicá-lo pode ser algo encantador, seja para o público ou para a marca que começa a se redescobrir.

Ao falar do tato, por exemplo, podemos nos lembrar de marcas de roupa. Afinal, quem nunca teve a experiência de vestir uma camiseta ou uma blusa e sentir-se marcado por aquela experiência?

Pois bem, uma empresa que saiba despertar isso no seu público, de modo a “falar” com o tato dele, certamente vai fazer um excelente marketing sensorial. Inclusive, hoje em dia está em alta falar sobre memória afetiva, sendo que ela quase sempre remete ao tato. 

Já o olfato é ainda mais rico, e geralmente explorado por marcas de alimentação, porém, imagine uma empresa de perfumes que saiba trabalhá-lo.

De fato, se uma empresa de aluguel de som para confraternizacoes prova o seu potencial mostrando a qualidade dos seus equipamentos de som, uma fabricante de perfumes precisa ir a campo mostrar para os clientes como seu produto é bom.

Isso inclui essências, aromas e odores diferenciados. Por fim, o paladar também pode ser trabalhado de diversas maneiras, indo muito além de marcas de alimentos.

Se o marketing sensorial pode tentar criar uma memória afetiva no cliente, isso pode estar ligado a um evento específico que não necessariamente remete direto ao produto, mas que crie uma atmosfera memorável e inesquecível.

Por isso, um encontro com os clientes especiais que ofereça uma boa refeição pode ser considerado um marketing sensorial, assim como uma loja de roupas que utiliza músicas, o que não está diretamente ligado a vestuários.

Lembre-se das experiências genuínas

Quando falamos sobre como aplicar o marketing sensorial, é muito comum a pessoa pensar em modos de intensificar os sentidos que o seu produto já desperta.

Já vimos que isso não precisa ser necessariamente assim para que se obtenha algo realmente inesquecível, mas é necessário demonstrar mais a fundo porque as coisas são desse modo.

A verdade é que até o neuromarketing tem ajudado as empresas a desenvolverem estratégias que falem mais fundo com o seu público.

Por exemplo, a organização que já instalou um front light banner sabe que, caso o item precise ser utilizado durante a noite, é preciso que haja o reforço de um holofote ajudando a peça visualmente, ou ninguém vai enxergar nada depois do pôr do sol.

Por outro lado, um levantamento recente do CRA-SP, em parceria com a Faculdade Getúlio Vargas (FGV), identificou que lojas de roupa com iluminação interna muito forte têm mais problemas, pois os clientes começam a reparar demais nos detalhes estéticos das roupas.

Isso deixa claro como é preciso saber criar o ambiente e pensar em todos os sentidos ao mesmo tempo. Só assim a marca vai criar uma experiência que seja capaz de trazer benefícios reais para o negócio.

Para isso, a loja precisa ter um controle maior da experiência que ela própria está propondo, afinal, ela deve estar no controle. Além do mais, também precisa conhecer muito bem o seu público-alvo, como ficará claro adiante.

Mas, como descomplicar?

Mesmo depois de deixar claro do que se trata o marketing sensorial e como ele pode se relacionar com cada um dos sentidos humanos, muitas empresas não conseguem aplicá-lo no seu próprio caso.

De fato, é preciso descomplicar um pouco as coisas e dar asas à criatividade. Para isso ocorrer de modo autêntico e trazer o resultado devido, não pense apenas nos sentidos dos outros, mas na própria identidade da marca.

Ao fazer um banner com foto, é preciso reforçar a identidade visual (logotipo, cores, tipografia) e a verbal (como o slogan) da sua firma. O mesmo vale para o marketing sensorial, que no fundo se ampara nos famosos pilares de Missão, Visão e Valores.

Um jogo de luzes coloridas no Ponto de Venda já pode tornar a visão memorável. A audição é um exemplo ainda mais forte: se o público é de classe A e B, tente Bossa Nova. Se for de classe C, D e E, pode ser que as paradas de sucesso do dia se saiam melhor.

Até o olfato e o paladar que você vai trabalhar dependem da filosofia da marca. O tato, como vimos, vai além do toque, então um simples piso mais frio ou mais quente já pode gerar o impacto desejado, tornando-se inesquecível.

Conclusão

No fim das contas, o marketing sensorial é muito mais do que apenas despertar sensações inconscientes nas pessoas.

Trata-se de compreender a fundo a identidade do seu público e a sua própria identidade, para poder gerar experiências memoráveis, que se tornem inesquecíveis para o cliente e faça ele querer voltar.

Então, imagine o que um negócio de locacao de stand para eventos não é capaz de fazer com o tato, o olfato, o paladar, a visão e a audição das pessoas que vão ali presencialmente.

Assim, embora alguns ignorem, o marketing sensorial tem tudo a ver com o fortalecimento da marca e com a melhoria dos resultados, inclusive das vendas.

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

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